Construção Crítica do Texto

José Antônio Oliveira de Resende

Se é possível partir do pressuposto de que a relação entre o fato e sua representação não é direta nem transparente, então o mesmo raciocínio se aplica quanto ao livro didático de português e suas práticas conceituais e metodológicas a respeito da língua e do processo de construção textual. Conceitos relativos à língua e às atividades operacionais de elaboração textual são baseadas em representações discursivas que devem receber o olhar da relativização histórica, social e pragmática. Quando esse olhar não é contemplado, a língua e o texto passam a ser concebidos como produtos acabados e afastados de contradições. O livro didático de português age nessa perspectiva, defendendo modelos de texto, de concepções engessadas a respeito da própria gramática, ao mesmo tempo em que oferece, ao longo das coleções, o contato com o lúdico, as músicas, os assuntos pertinentes à faixa etária dos usuários, fotos e ilustrações atraentes, edições com acabamento refinado, com muitas cores e momentos de descontração. É necessário que um pensamento crítico possibilite a mediação dos elementos envolvidos no ensino da construção textual e sua articulação nos livros didáticos de português. Tal pensamento tem condições de analisar o livro didático de português e seu trabalho com o texto num viés argumentativo que releva a contrapalavra bakhtiniana, dando voz a silenciamentos ideológicos reveladores de conflitos e diálogos ocultados ou mesmo remanejados pelo conformismo. Tais conflitos e diálogos são alteridades possíveis, dignas de serem consideradas, pródigas de respostas às lacunas que toda hegemonia deixa transparecer. De acordo com essas posturas aqui assumidas, parece ser pertinente afirmar que o livro didático de português atua de forma política no espaço escolar, vinculado a uma ideologia que se cristaliza por práticas discursivas em forma de conceituações. Logo, o livro didático de português é um fenômeno educativo, comprometido com os pressupostos pedagógicos da organização escolar, dialogando com os conceitos sobre o conhecimento assumidos pela educação. Por outro lado, esse mesmo livro didático pode ser abordado numa perspectiva desalienadora, que aponte para uma superação das interdições discursivas que impedem uma ação satisfatória da subjetividade e da argumentação do aluno. Para isso, é necessária uma abordagem que aceite o estatuto da mudança, a heterogeneidade, a hierarquia revisitada e a abertura às hipóteses, às tentativas experimentais com a linguagem, aos diferentes espaços de interlocução e à realidade histórico-pragmática. Na tentativa de uma explicação que possa contribuir, embora limitadamente, com as pesquisas que vêm sendo feitas no universo acadêmico sobre a questão do livro didático de português, duas coleções foram selecionadas para este trabalho: Português: linguagens, de Cereja & Magalhães, e Português: uma proposta para o letramento, de Soares. Ambas as coleções são de 5ª a 8ª série. O trabalho se divide em três partes: Parte I: Questões políticas, ideológicas, categoriais e discursivas; Parte II: Aspectos político-ideológicos da educação; Parte III: Uma proposta de análise de duas coleções.




A recepção dos convidados.


O início do evento


Abertura do evento (I)


Abertura do evento (II)


Visão geral do público.


Momento dos autógrafos (I).


Momento dos autógrafos (II).


Momento dos autógrafos (III).


Momento dos autógrafos (IV).


Momento dos autógrafos (V).