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A
Editora Ex Libris, completando três anos de atividade, exclusivamente
voltada para o mercado editorial acadêmico, ao substituir a RS Editora,
antes uma editora “bissexta”, com boas publicações,
mas sem a dedicação, o empenho e o profissionalismo que imprimimos
nessa empreitada, que acabou, afinal, a nos levar ao lugar de credibilidade
e confiabilidade que adquirimos, só temos a agradecer a Conselheiros,
Autores, Professores, Colaboradores e Instituições de Ensino
Superior, grandes responsáveis por uma rede que se espalha por 24 estados
do Brasil; Portugal; Espanha; Angola e, em breve Moçambique.
Entendemos que muito pouco há a falar e muito a fazer. Uma editora não
existe para reverenciar o talento de seus autores. É uma empresa que investe
seus recursos e busca também o lucro, que tem dezenas de autores iguais
e que quer ter os melhores resultados a cada título lançado, sendo
a primeira prejudicada quando eles não vendem. Não precisamos dizer
que é a melhor editora do mundo só porque nos editou, mas é bom
pensar que ocorreu uma aposta conjunta. Já temos mais de 35 livros publicados
e, apenas neste ano de 2008, deveremos publicar outras 50 obras, apenas considerando
o mercado brasileiro.
Mas não seria o bastante se não aproveitássemos a oportunidade
para reproduzir um belíssimo texto, de autoria do professor Gabriel Perissé,
doutor pela USP e escritor, “pinçado” do site de nosso amigo
e grande referência para o mercado do livro, Galeno Amorim, o que fazemos
logo a seguir.
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Três
trabalhos atraentes
Ler é trabalho. Eleger um livro, livrar-se
do tempo para ter tempo de percorrer suas linhas, penetrar
nas entrelinhas. Ler é trabalho trabalhoso.
Comer a carne da leitura, sugar-lhe o sangue, roer-lhe
o osso. Suportar o que há de insosso até chegar
ao poço de água viva. Mais: saborear
o insosso. Sentir no insosso o gosto que poderia ter.
Ler
dá trabalho. Guardar da leitura a palavra
exata, a frase contundente, a imagem certeira, a metáfora
nova, a idéia paradoxal, o personagem mais vivo
que os próprios vivos. Ler é trabalhar
sem salário, sem recompensa material. Ler é trabalho
puro, trabalho duro, trabalho divino.
Ler é também trabalho sujo. Ler é lamber
os séculos, digerir tudo o que há em
outras mentes. Leitura suja. Leitura suja de vida.
E por isso é trabalho limpo. Trabalho decente,
atraente.
Pensar é trabalho. Raciocinar é pouco,
apenas racionar idéias, contar os passos, evitar
falácias, economizar processos. Pensar mesmo,
que cansa, é transbordamento, perda do tempo
que não temos. Pensar é imaginar e relembrar,
transgredir e transcender.
Pensar
dá trabalho. É virar do avesso
o que já estava certo. Pensar é misturar.
Bom senso com não-senso, senso prático
com senso moral, senso comum com senso estético.
Pensar é trabalhão. Emagrece a alma. É sempre
hora extra, hora extensa, hora extrema. Pensar é pensar
nas horas mortas e nas horas vivas, nas horas vagas
e perdidas, em cima da hora, pela hora da morte.
Escrever é outro trabalho e tanto! Escrever é ser
escravo das letras. Trabalhar de sol a sol, de lua
a lua, de segunda a segunda, de hora em hora, de chaga
em chaga, de ano em ano, tudo e nada, com leitor ou
sem, com editora ou sem, com dinheiro ou sem.
Escrever
dá trabalho. Dá medo, dá dor,
dá dó. Catar palavras nas areias, correr
atrás de algumas, que fogem. Ou fugir das que
nos perseguem, repetidas, redundantes, replicantes.
Escrever,
trabalho braçal, trabalho de cão,
trabalho de Hércules, trabalho de Sísifo,
trabalho de parto que nos parte ao meio, trabalho forçado
que liberta.
Ler, pensar
e escrever. Três trabalhos que atraem,
subtraem, maltratam e enriquecem. Trabalhos ocultos,
solitários. Trabalhos que aumentam a fome de
trabalhar. Trabalhos impunes. Trabalhos sem perdão,
sem a devida remuneração. Trabalhos que
não têm preço. Que não têm
fim. Que não têm jeito.
Gina
Cordeiro Silva
Ricardo Henrique de Brito e Sousa
Editor - Registro ISBN
902876 – Biblioteca
Nacional
Diretores
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