Depois dos muros e das grades:
A representação dos presos sob
regime de liberdade condicional

Benedito José de Carvalho Filho

Este livro, sobre presos em liberdade condicional não surgiu por acaso. O autor esteve envolvido durante muitos anos na luta pelos direitos humanos, onde, na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, acompanhou de perto a violência na Praça da Sé, assim como a morte dos 111 presos no Carandiru. Preso nos idos de 69, em Belém do Pará, onde ficou um mês na cadeia, depois de ser julgado e condenado pela Justiça Militar, nos tempos duros da Ditadura Militar, quando tinha apenas 19 anos. Assim, apresenta uma narrativa, que aborda grande parte de seus fatos “por dentro dos acontecimentos”. Sua pergunta básica: o que ocorre com aquelas pessoas que saem depois de terem passado longos anos nos porões das prisões? O que acontece com seu corpo e sua personalidade? A história desses homens invisíveis, de quem a sociedade nega a existência, é trazida à tona pelo autor. Essa voz, vindas das catacumbas certamente ecoará muito bem nos ouvidos dos que a reprimem. Não se trata, como se pode pensar à primeira vista, de uma análise jurídica da liberdade condicional, nem de uma avaliação casuísta das leis que regem a vida do condenado, mas de um estudo fenomenológico do preso sob essa condição, o que torna o estudo original, pois não se trata somente de partir de considerações teóricas, mas de uma abordagem mais parecida com que propõe Michel Foucault quando nos convida a escutar a voz dos próprios protagonistas, sem o desejo de Verdade, como é freqüente nos estudos nessa direção, abrindo novas perspectivas para a sociologia e a antropologia jurídicas.