Novæ sed Antiquæ:
Tradição e Modernidade na Maçonaria Brasileira

José Rodorval Ramalho

O objetivo central deste trabalho é descrever e analisar a combinação de valores tradicionais e modernos promovida pela Maçonaria, procurando compreender os significados dessa “fusão de horizontes” na reprodução institucional da ordem maçônica. Para isto, analisamos o funcionamento da mais antiga federação maçônica brasileira, o Grande Oriente do Brasil, a partir da descrição de sua estrutura geopolítica e administrativa, indicando a distribuição das Lojas no território nacional, a estrutura dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), os fundamentos do federalismo maçônico, o funcionamento do sistema obediencial e as organizações paramaçônicas de jovens e mulheres. Promovemos uma breve incursão histórica tentando localizar as origens da maçonaria moderna, sua chegada ao Brasil, sua participação em episódios importantes no século XIX e sua atuação como um espaço de sociabilidade iluminista. Em seguida, analisamos as Leis e Princípios maçônicos, expressos na legislação da instituição; seguimos descrevendo parte do universo simbólico, ritualístico e hierárquico da Maçonaria, o que envolveu a apresentação do templo maçônico, dos três graus simbólicos, o significado dos nomes das Lojas e as principais formas hierárquicas nos três graus simbólicos do Rito Escocês Antigo e Aceito. Finalmente, analisamos algumas formas de solidariedade maçônica, sua concepção e operacionalização a partir de iniciativas filantrópicas voltadas para a comunidade em geral. Concluímos que a combinação dos dois universos de valores (tradicional e moderno) é o núcleo do processo de reprodução institucional maçônica, e o que torna possível essa combinação é a atitude reflexiva dos indivíduos maçons. O resultado desse processo é uma instituição ambivalente, homóloga à Modernidade.