Geografia Econômica e Desenvolvimento Social
Aguimon Alves da Costa
A democracia e hoje uma realidade irreversível, e isso se reflete na própria definição do desenvolvimento. Afirmam-se como critérios maiores da ação publica a atenção à justiça social, aos direitos humanos, à proteção de minorias, e à preservação do meio ambiente. Outra realidade irreversível é a nova economia global, onde o conhecimento e a informação tornam-se mais importantes do que a dotação de recursos naturais e onde as inovações técnicas transformam radicalmente a forma de enxergar os fatores de produção tradicionais. Tornou-se um imperativo ao desenvolvimento colocar as pessoas, o ser humano, no centro das preocupações. Quanto mais se afirma a democracia, mais o desenvolvimento deverá ser desenvolvimento humano. Quanto mais se aprofunda a importância do conhecimento e da informação, mais decisivo é o papel do trabalhador qualificado e, portanto, de questões como a educação e saúde. Em seu momento, a mecanização da produção gerou medos e mitos de desumanização do trabalho. Ninguém esquece as imagens de Chaplin em "Tempos Modernos". A nova economia, com ênfase ainda maior na técnica, na eficiência da produção, na competitividade, traz promessas de prosperidade, mas traz igualmente novas preocupações. Uma delas é o desemprego e o potencial de exclusão. Temos, portanto, um novo desafio. O de tirar o máximo proveito das oportunidades abertas pela ciência e pela tecnologia, sem perder a bússola da solidariedade. Desafios novos não podem ser enfrentados com formulas antigas. Nos anos 50, quando se falava em desenvolvimento, os símbolos eram a indústria pesada, a infra-estrutura econômica, as grandes obras. Tudo isso ainda é importante, e muito. Mas nos dias de hoje a criança na escola, com condições de acesso a um ensino de qualidade, talvez seja um símbolo mais apropriado do desenvolvimento. As tarefas do Estado são hoje distintas. Já não são as de um Estado-empresário, onipresente, que escolhe arbitrariamente vencedores e vencidos. São as de um Estado que deve garantir as condições para o crescimento econômico, para a geração de emprego, para a universalização do acesso à educação e à saúde e para a integração regional. Sabemos que o mercado tem um papel essencial a cumprir na geração de riqueza, de inovação, mas não da resposta a todas as perguntas. Esta questão e uma questão central a desafiar a temática contemporânea. Geografia Econômica e Desenvolvimento Social é uma obra que pretende abordar todos esses aspectos, fundamentais ao entendimento dos fatos, do desenvolvimento e da necessária cidadania, onde o desenvolvimento cientifico e tecnológico é fundamental. Ele e tão fundamental quanto e fundamental a integração energética. Cabe a todos nós apoiar essa formação do capital humano, que tem uma expressão direta, não apenas na escolarização que se generaliza, mas, sobretudo, na capacitação em níveis crescentes de tecnologia, para que nos possamos ter acesso, efetivamente, não apenas a produção mas à criatividade, nesta matéria. O maior desafio é a integração da sociedade civil nesse processo. Só haverá sociedade verdadeiramente democrática e dinâmica, capaz de avançar, se houver governabilidade, no sentido da existência da responsabilidade compartilhada pelo conjunto da cidadania. Essa relação, esse laço entre o Estado e a sociedade civil, entre as formas organizadas da sociedade e o mercado, acrescido à dinâmica da sociedade civil. E só haverá governabilidade na medida em que formos capazes de expandir a responsabilidade e a participação ao conjunto da cidadania.
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