
Murilo
Mendes: O Pânico da
Poesia
Gilson Raslan Filho
O livro, resultado de uma pesquisa
acadêmica, é voltado para a compreensão da complexa
obra do poeta modernista brasileiro Murilo Mendes. Nascido na pequena
Juiz de Fora, em 1901, Murilo Mendes fez seus estudos básicos
na cidade natal e no Rio de Janeiro, em colégio católico,
para, depois de percorrer diversos países europeus, se estabelecer
em Roma como professor de literatura e cultura brasileira. Faleceu em
Portugal, em 1975. O percurso biográfico do poeta parece coincidente
com sua trajetória artística: Murilo Mendes faz uma poesia
de convergência de contrários. Poeta modernista, foi muito
além do modernismo e fez convergir em sua poesia o cosmos e a
província; o metafísico e a ação mundana;
o claro e o escuro; Eros e Tânatos. Em nova conversão ao
catolicismo, depois da morte prematura do amigo artista plástico
Ismael Néri, em 1934, dedicou-se à restauração
da poesia em Cristo, mas fez uma poesia cristã mundana e surrealista.
O pânico da poesia é um esforço para a compreensão
de tantas imagens díspares e convergentes da poesia muriliana.
Para isso, o livro recorreu ao diálogo entre a história
da filosofia e a teoria literária, mas também ao torvelinho
das imagens em choque da poesia de Mutilo Mendes, responsáveis
por uma das mais belas obras da literatura do século XX. O surrealismo à brasileira
de Murilo Mendes, que mantém sua obra bastante heterogênea, é também
o motivo da convergência perseguida neste livro. O pânico,
como transcendência e intensidade poética para a reforma
de um mundo claro demais pelas luzes das máquinas de guerra e
cego demais com o fulgor de tal luminosidade excessiva, é a imagem
encontrada pelo livro como uma chave para a compreensão da riqueza
poética de Murilo Mendes. A inserção de Murilo Mendes
na modernidade e nas escolas modernistas; seus muitos diálogos
com poetas, artistas plásticos, fotógrafos e cineastas
de várias épocas; sua poesia metafísico-espiritualista
e a fase concretista de sua última fase poética se movimentam
e convergem segundo a pedra de toque do pânico - pois os apontamentos
da finitude e da esperança humana na totalidade e no repouso eterno
no tempo parecem ser razão da poética muriliana.
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